O ar-condicionado pode até deixar o ambiente mais fresco, mas isso não significa que o ar esteja sendo renovado.
Ar que respiramos e alimentos que consumimos: especialistas alertam para riscos à saúde
Da mesma forma, manter um alimento refrigerado não garante, por si só, sua segurança para o consumo. Essas duas situações, presentes no cotidiano de milhões de brasileiros, foram discutidas por especialistas da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), durante a Febrava Rio, realizada no Riocentro.
O debate ocorreu nesta quinta-feira (8), último dia da feira, e colocou em pauta dois temas diretamente ligados à saúde pública: a qualidade do ar em ambientes fechados e o controle da temperatura ao longo da cadeia de produção e distribuição de alimentos.
Ambiente climatizado não significa ar de qualidade
Em casa, no escritório, nas escolas ou no transporte público, a ventilação adequada é fundamental para a saúde. O problema é que muitos sistemas de ar-condicionado, especialmente os modelos split, apenas resfriam o ambiente, sem promover a renovação do ar.
O alerta foi feito por Rafael Munhoz, presidente do Departamento Nacional de Qualidade do Ar Interno da ABRAVA. Segundo ele, em locais fechados e com grande circulação de pessoas, a ventilação insuficiente pode provocar acúmulo de dióxido de carbono (CO₂) e de contaminantes, prejudicando o bem-estar dos ocupantes.
“Se você está em um ambiente fechado e sem renovação de ar, cada vez mais consome o oxigênio, deixando mais gás carbônico. Então, você pode sentir cansaço, sonolência e adquirir doenças respiratórias a longo prazo”, alertou.
O especialista também destacou a existência de sensores capazes de monitorar parâmetros da qualidade do ar e defendeu maior atenção à ventilação de escolas e espaços públicos climatizados. Outro ponto abordado foi a necessidade de projetos específicos para diferentes tipos de ambientes, considerando características como ocupação, circulação de pessoas e exigências de ventilação.
Da produção à mesa: refrigeração é questão de segurança alimentar
Se a qualidade do ar exige atenção dentro dos edifícios, a temperatura é um fator decisivo para a segurança dos alimentos antes mesmo de chegarem à mesa do consumidor.
Luiz Villaça, vice-presidente do Departamento Nacional de Refrigeração da ABRAVA, destacou que o controle adequado da temperatura deve ser mantido em todas as etapas da cadeia alimentar, desde a produção e o transporte até o armazenamento e a comercialização. Falhas nesse processo podem favorecer a proliferação de microrganismos e comprometer a segurança dos produtos.
Para ampliar o acesso a essas informações, a ABRAVA apresentou, durante a Febrava Rio, uma cartilha dedicada à refrigeração, com orientações sobre boas práticas e a importância do controle de temperatura na conservação dos alimentos.
Villaça também ressaltou a necessidade de qualificação dos profissionais do setor, especialmente diante das transformações tecnológicas e das exigências relacionadas à segurança alimentar.
Saúde pública no centro do debate
A discussão integrou a palestra “ABRAVA e o Futuro do AVAC-R: Tendências, Desafios e Oportunidades”, que reuniu Rafael Munhoz e Luiz Villaça, com mediação de Suelen Assoni, representante da associação.
Para Suelen, aproximar o conhecimento técnico da população é um dos principais compromissos da entidade. “A associação tem um papel fundamental, que é fazer a ponte entre as empresas associadas e a sociedade, porque tanto a segurança alimentar quanto a qualidade do ar interno são pautas de saúde pública”, afirmou.
A atuação da ABRAVA está concentrada em três pilares: descarbonização, qualidade do ar interno e segurança dos alimentos. Por meio de treinamentos, publicações, eventos e iniciativas de orientação, a entidade busca ampliar a conscientização sobre temas que, embora muitas vezes passem despercebidos, têm impacto direto na saúde e na qualidade de vida da população.
O debate na Febrava Rio reforçou que refrigeração, climatização e ventilação vão muito além do conforto térmico. São tecnologias essenciais para ambientes mais saudáveis e para a segurança dos alimentos consumidos diariamente.
